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 Eu sou um exemplo!

Eu sou um exemplo: Raven Queen, filha da Rainha Má. Veja bem, em Ever After High, nós estudamos para ser a próxima geração de contos de fadas. Cada um terá que ser a mesma coisa que seus pais foram. A Apple White será a próxima Branca de Neve. A Briar Beauty será a próxima Bela Adormecida. Cedar Wood será o próximo Pinóquio. O nosso "sábio" Diretor Grimm chama isso de "destino de nossa história". Mas eu não dei sorte: meu destino é ser a próxima Rainha Má.

Será que eu deveria estar sorrindo como o Gato Cheshire, porque meu legado é me tornar a vilã mais temida da história dos contos de fadas? Eu não sou má! Eu não gosto nem de matar aranhas! E agora eles querem que eu dê uma maçã envenenada para a Apple White? Mas, como minha mãe dizia, "Todos nós temos um papel a cumprir." Ela teve que ser a Rainha Má, e agora é a minha vez... Será mesmo? A verdade é que a história está mudada e é tudo minha culpa. E sabe o que é mais maluco disso tudo? É que isso foi a melhor coisa que já me aconteceu. Deixe-me explicar desde o começo. Era uma vez, antes do Dia Legado... 

Capítulo 1

Nossa orientação de "Volta às aulas" ocorria uma semana antes do início das aulas, e o Encantório estava cheio de gente contando histórias sobre as férias de verão. Mas outra história também estava sendo contada. Dava pra sentir a animação no ar, já que este seria o ano no qual todo mundo iria prometer seguir seus destinos, diante do Livro das Lendas, no Dia do Legado.

Eu sentei ao lado de Madeline Hatter, a minha melhor amiga para todo o sempre. A Maddie, como a maioria das pessoas, estava ansiosa para começar seu primeiro capítulo. Mas eu não. Eu não queria que este ano chegasse. Eu não queria ser a Rainha Má. Mas que opção eu tinha? De repente, ouvi uma voz, falando bem alto: "Bem-vindos, alunos de Ever After High"!

Era nosso diretor, Milton Grimm. Não quero ser uma rainha má do drama, mas eu não estava nem aí! \ele só se importava com os "royals". Sabe, as princesas cujas histórias terminam em "viveram felizes para sempre".

Enfim, Diretor Grimm fez seu grande discurso sobre como estamos todos destinados à grandeza. Em outras palavras, presos aos nossos contos de fadas futuros, gostando disso ou não.

O Diretor finalmente terminou o discurso, e foi embora numa apresentação extravagante com fogos e fumaça de dragão.

Capitulo 2

Fomos separados em grupos de história para nosso passeio anual. Os "Royals" foram levados para a torre da donzela em apuros. A Maddie se juntou para grupo de personagens excêntricos do Professor Rumpelstiltskin, certamente para aprender coisas incríveis como charadas e poções. No meu grupo, estavam a Lizzie Hearts, Princesa do País das Maravilhas, e outros "vilões", incluindo um goblin e um ogro chamados de Mocky e Rugsy, que ficavam olhando para mim como se eu fosse uma celebridade famosa dos contos de fadas. Foi bem desagradável!

Nosso professor, Sr. Badwolf, era assustador e bem peludo e simplesmente falou: "Sigam-me".

Ele nos levou para os confins frios e úmidos da sala do caldeirão, onde aprenderíamos todos os encantos e desencantos do preparo de poções. Ouvi o Goblin e Ogro sussurrando. Eles ainda estavam olhando para mim! E continuaram me olhando durante todo o passeio. Quando cheguei ao calabouço mais profundo, não aguentei mais. "Parem de olhar para mim!".

O Goblin bateu palmas animadamente. "A fúria dela é magnífica, não é, Rugsy?". Rugsy murmurou seus pensamentos: "Fúria!".

O Sr. Badwolf rosnou: " Que bela demonstração de descontrole.". Tentei me desculpar, mas ele continuou: "Começou muito bem. Mas as aulas ainda não começaram, Sua Malvadeza.". Aquilo me deixou muito transtornada.

Capitulo 3

Quando o passeio acabou e eu finalmente consegui me livrar do Mocky e do Rugsy, fui até meu dormitório e li os nomes "Raven Queen" e "Madeline Hatter" na porta. Eu mal podia acreditar! Maddie era minha colega de quarto! Ela é divertida, engraçada e tem a mente aberta. Ela não está nem aí se eu serei a Rainha Má, a Rainha Branca, ou uma abelha-rainha!

Quando abri a porta, a Maddie me abraçou e me deu uma enorme xícara de chá - justamente o que eu precisava para me sentir melhor! Conversamos sobre os nossos passeios. A Maddie sempre soube que eu detestava ser má (mesmo quando minha mãe me recompensava por ser má), e ela queria me animar. Essa é a mágica da Maddie. Brincamos de "Se eu não", que é um maravilhoso jogo do País das Maravilhas que eu adoro. Eu consigo imaginar o que eu faria se a vida fosse diferente. Era minha vez: "Se eu não dormisse em uma cama fofinha...".

"... tiraria uma soneca na cozinha!" Maddie caiu de tanto rir de sua resposta. Era a vez dela: "Ok... ok... se eu não tivesse que ser a Rainha Má...". Fiquei atordoada. Se eu não tivesse que ser a Rainha Má, o que eu seria? Sim, meu destino é uma maldição, mas eu nunca nem pensei em ser qualquer outra coisa. Eu não tinha escolha, tinha? "Não sei".

"Eba! Ganhei! Vamos jogar de novo!" Maddie era a melhor colega de quarto que eu poderia ter. Infelizmente, por causa da Apple, ia diversão não duraria muito.

Capitulo 4

A ideia de que eu poderia não ser a Rainha Má me manteve acordada durante toda a noite. Quanto mais eu pensava nisso, mais sentia arrepios. Nos contos de fadas, os filhos seguem os passos fabulosos dos pais, mas a verdade é que eu nunca quis ser uma vilã. Eu sempre quis fazer do mundo um lugar mais feliz.

Quando eu era pequena, eu fazia feitiços para transformar flores em borboletas! Até que, um dia, a mágica não deu muito certo, e as flores começaram a pegar fogo.

Desde então, as minhas mágicas sempre dão errado quando tento usá-las para o bem. Uma vez, eu tentei resgatar o gato do vizinho, que estava no alto de uma árvore. Em vez de gentilmente ajudá-los a descer, a árvore arremessou o gato pela vizinhança. Eu achei que estava encrencada, mas a minha mãe parecia bastante orgulhosa de mim. Ela disse que esperava "magia negra" de mim, e me recompensou com um dia de compras, quando ganhei novos sapatos pretos com tachas e um casaco de escuridão infinita. Apesar de adorar meu novo visual, eu me sentia muito mal pelo que tinha feito. Na verdade, as únicas vezes nas quais fui castigada foram por fazer algo bom.

Eu finalmente consegui dormir, querendo que existisse alguma maneira de mudar meu destino.

Capitulo 5

É bem difícil de chegar na sala da minha orientadora, Baba Yaga. A sala tem patas de galinha e está sempre correndo. Primeiro, você tem que encontrar a sala, depois correr atrás dela, e então encontrar um jeito de pular nos degraus. Por algum motivo, ela não acha isso estranho. Bati na porta, exausta. "Entre, Srta Queen.". Madame Yaga me entregou meu horário escolar e pergunto se eu tinha alguma dúvida. Vilania Geral, Vilania Doméstica, Magicologia, História dos Feitiços do Mal e Gestão de Bruxaria. Ai! "Eu não posso escolher que aulas quero assistir?". As palavras simplesmente escaparam.

Ela ficou olhando para mim, durante um tempo que pareceu uma eternidade. "Você sabe muito bem que a política da escola dita que você deve assistir aulas que são mais adequadas para seu destino.", finalmente ela parou de me olhar e disse: "No entanto, você pode escolher uma aula, Srta. Queen.".

Nem precisei pensar duas vezes: "Música". Tradicionalmente, é uma aula só para princesas, mas eu sempre me senti livre cantando.

Ela ficou pensando por um momento, longo, desconfortável e silencioso. "Informarei o Professor Pied Piper imediatamente. Não quero mais ouvir sobre escolhas. Estamos entendidas?" Eu balancei a cabeça afirmativamente. "Agora, vá para a biblioteca retirar seus livros.".  

Capitulo 6

Cheguei na biblioteca, e encontrei a Maddie toda empolgada. Ela estava falando sobre algo que eu precisava ver, mas ninguém conseguia encontrar. Às vezes, a Maddie tem um jeito muito estranho de falar. Ela foi me guiando pela biblioteca até que chegamos numa porta secreta que ela encontrou. A Maddie bateu na porta com um ritmo brincalhão, e DE REPENTE estávamos cercadas de livros antigos e empoeirados.

"Maddie ... onde estamos?". A resposta dela foi calma como sempre: "Ele chama de Câmara dos Contos Perdidos.".

"Ele quem?".

"O bibliotecário chefe, Giles Grimm. Acho que ele é irmão do diretor. Ele tem uma coisa importante pra te dizer," Maddie cantou: "Mas ele só fala Charadês".

"Como assim?"

"Charadês, o idioma de charadas do País das Maravilhas, minha terra natal. A não-casa do bibliotecário," Como eu disse, a Maddie tem um jeito estranho de falar.

"Olha lá, lá está ele."

Enterrado em pilhas de livros estava o velho mais grisalho que eu já vi na vida. Os seus olhos iam pra lá e pra cá passando pelas páginas de um enorme livro."Cambalhotas, sementes de romã! Nunca ontem, só amanhã!" *.

*Tradução do Charadês pela Madeline Hatter: "Estou frustrado! Quantos livro eu tenho que ler?".

E daí começou a conversa mais esquisita de todos os tempos. A Maddie e o bibliotecário faziam rimas sobre pés de coelho, bater pés, e um monte de coisa que não tinha nada a ver. Eu não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo até que o bibliotecário apontou para mim e disse:

"Numa asa com uma rosa, ou uma cadeira formosa, com um cachorrinho e um porco no bolso."

Maddie me fez rodopiar e disse: "Raven! Um cachorrinho e um porco no bolso! Um cachorrinho e um porco no bolso!".

"Maddie, eu não estou entendendo!".

"Ah, desculpe! Esqueci que você não fala Charadês".

E então, Maddie me explicou a história que me mudaria para sempre. De acordo com o bibliotecário, se eu prometer criar o meu próprio Final Feliz, estarei livre para escrever a minha própria história.

Poderia ser verdade? Durante toda minha vida eu pensei que tinha que ser a Rainha Má. Será que deveria me atrever a descobrir o que eu realmente quero ser? Sempre nos disseram para seguir nossos destinos, custe o que custar. Se eu mudasse a história, o que aconteceria? O que as pessoas pensariam a respeito disso? Basta uma só pessoa para amaldiçoar o destino de todas as outras.

Mas talvez ... talvez ... existissem outras pessoas que queriam uma chance de escrever seus próprios Finais Felizes.

FIM